28.4.09

À LA CARTE

From Bragança
with love


...e é esta a primeiríssima vez que concedo o espaço deste blog a outra pessoa que não eu. Uma das minhas mais carismáticas sous-chefs — a artista conceptual transmontana Sandra Andrade —, assina esta sublime verrine de delicados sabores monteses: batata e azedas. Um amuse-bouche de comer e rebolar no chão por mais. Provei-a eu próprio naquele que foi o primeiro jantar a dois cozinhado na casa que é dela. Em Braga. A foto é minha, o texto é dela:


Coloco as folhas de azeda em água morna e deixo repousar. Cozo batatas com pele em água com sal e alecrim. Quando as batatas estiverem cozidas, tiro a pele e esmago-as com um garfo. Escorro as azedas e corto-as em tirinhas. Junto-as ao puré (não pode ficar assim um puré muito delicado e fofinho; é mesmo batata esmagada com garfo e pronto). Envolvo tudo. Tempero com pimenta fresca, flor de sal, azeite e vinagre da minha tia, noz moscada ralada na altura (adoro adoro), um piquinho de mostarda de Dijon (muito boa, não há cá coisas) e orégãos secos (pode ser, pode não ser; eu é que tenho a mania dos orégãos secos em tudo). Ultimamente, ponho raiz de gengibre em pó (porque me ofereceram há pouco tempo e também ando a pôr em tudo). Misturo tudo muito bem (com as mãos!!!!!, à la Jamie Oliver... as mãos muito bem lavadinhas com anti-bacteriano, o que quiserem, a gosto). Provo (às vezes) e rectifico os temperos (às vezes). Já aconteceu misturar um nada da aguinha das batatas com pele e alecrim. Para ficar mais fofinho. Coloco tudo em tacinhas pequeninas de vidro transparente. Mesmo à chef panilas (que o sou e com muito gosto). Salpico com um mui fino vinagre balsâmico. E termino com umas hastezinhas de cebolinho e umas lâminas de um fruto vermelho. O melhor até agora foi o morango em calda (que só encontro numa loja rafeira dos 300 aqui em Braga, mas aceito encomendas e começo a vender os frasquinhos a preço gourmet e pode ser que ainda se faça negócio... hihihi). Come-se com um garfinho pequenino. Quente, morna ou fria.

2 notinhas — Cortar a azeda com tesoura. E não misturar a azeda com a batata muito quente. Fica meia cozida e não é bom. E o vinagre é depois dos morangos, claro! Bom apetite!