6.4.11

anti-RØCIPES

Ração de Lampião:
caldo de abóbora com carne seca



Depois disto, voltámos a dar nas abóboras, desta vez através de um prato original da região de Minas Gerais, que a Mariana propôs como entrada para o anti-restaurant dedicado ao Brasil. A casca da abóbora serviu de recipiente para o bobó de camarão (que foi o prato principal) e cuja receita ficará para post'erior...






A primeira tarefa consiste em ir às compras. A Mariana escolheu o Cantinho Luso-Brasileiro, em Arroios (Rua Morais Soares, perto da Praça Paiva Couceiro) para comprar certos produtos mais raros, como a carne seca, o azeite de dendê ou os sumos tropicais de açaí, acerola, cajá, cupuaçu, graviola, pitanga e umbu, que acompanharam a refeição. Do dia anterior, já tinha ficado pronto o caldo de carne: num panelão, ferver 3 litros de água (sem sal), aos quais se acrescentam, já em ebulição, 1 cenoura cortada em rodelas, 1 cebola cortada em cubos, 1 ramo de salsa, 1 ramo de coentros, 1 talo de alho-francês cortado às rodelas, 3 ou 4 talos de aipo cortados em rodelas grossas, 1 folha de louro seca, 1 ramo de alecrim fresco, 1 ramo de tomilho (fresco ou seco, tanto faz), uns 10 grãozinhos de pimenta-do-reino, 2 dentes de alho esmagados, 1 pitada de noz-moscada, 1 pitada de erva-doce em pó e cerca de 300 gramas de aparas de carne e/ou ossos da mesma. Deixa-se ferver, à medida que se vai retirando a espuma, para depois baixar o lume e deixar cozinhar durante cerca de 3 horas, sempre em lume brando. No final, fica-se com cerca de 1,5 litros de caldo, que se deve coar (todos os elementos sólidos vão para o lixo) e colocar no frigorífico.

Voltando à ração: comecei por esventrar a abóbora sem danificar a casca (tarefa árdua), que a Mariana pôs de seguida a cozer em água com um pouco de sal. Ao lado, pusemos a cozer em água sem sal a carne seca (previamente demolhada em várias águas para retirar o excesso de sal). Depois de cozida, a abóbora é transformada em puré (com um pouco do líquido da cozedura) e é levada novamente ao lume, acrescentando-lhe lentamente colheradas de caldo de carne, até se conseguir uma mistura líquida, mas não aguada. No entretanto, já havíamos desfiado a carne seca, que reservámos; metade dessa carne é colocada no creme de abóbora, a outra metade guarda-se para o empratamento. No final, juntámos cerca de 500 gramas de queijo creme (ou então crème fraîche, ou então "requeijão cremoso", como lhe chamaria a Mariana) ao creme de abóbora, envolvendo muito bem. [Se se dissolver o crème fraîche em 3 ou 4 colheres de sopa de caldo de carne e só depois colocá-lo no creme de abóbora, a homogeneização das duas misturas será mais fácil.] Depois de adicionado o crème fraîche, o caldo fica no lume mais uns 5 minutos, aproximadamente. Na altura do empratamento, colocam-se duas conchas de ração em cada prato, para depois o comensal completar com mais carne seca e coentros picados a gosto.








Prato servido no Anti-Restaurant de Natal Nova Criação™ [Especial Brasil], no dia 15 de Dezembro de 2010. "Anti-Restaurant" é um projecto ESTRUTURA.