29.11.13

À LA CARTE










ARROZ DE BANDA™
(receita para 4 pessoas + 2 na manhã seguinte)


pelo chef Emanuel Botelho


INGREDIENTES:
— Arroz carolino à vontade do freguês;
— Uma cebola picada;
— Um dente de alho picado;
— Meio pimento verde;
— Uma folha de louro;
— Azeite q.b.;
— 2 tomates maduros;
— Polpa de tomate q.b.;
— Sal grosso q.b.;
— 1 colher de café de açúcar;
— Massa de pimentão doce q.b.;
— Qualquer tipo de carne fumada que exista no frigorífico (chouriço de cebola é um personal favourite, tal como um salpicão caseiro de Lamego, mas na verdade qualquer coisa que dê para reduzir a cubos serve);
— 1 lata de feijão vermelho (das grandes);
— Pedro Lapa.


PONTO PRÉVIO:
É importante jejuar ao longo do dia (de preferência sem se dar por isso), pois só assim é possível dar origem a um arroz de banda perfeito.


POSTO ISTO, A RECEITA PROPRIAMENTE DITA:
Num tacho grande, aquece-se o azeite e leva-se a cebola picada e o alho a alourar, juntamente com a folha de louro, à qual se retira previamente o espírito (i.e. a nervura da folha; não sei bem porque é que faço isto, mas sou incapaz de usar louro sem o fazer). Enquanto o refogado — que poderá ser um estrugido se o cozinheiro assim o desejar — continua a alourar, junta-se o pimento verde e as carnes fumadas, ambos cortados em pedaços pequenos. De seguida, e depois de se ter cortado previamente os tomates em quatro gomos (os gomos podem ser cortados ao meio, se os tomates forem grandes) juntamo-los ao preparado, e deixamos cozer um pouco, aproveitando o amolecer destes para os ir desfazendo com a colher de pau. Fuma-se um cigarro, adiciona-se uma pitada de sal e junta-se um pouco de polpa de tomate a gosto, contrabalançando a acidez da mesma com uma colher de café de açúcar; acrescenta-se ainda a massa de pimentão doce, mexendo tudo para envolver os ingredientes. Deixa-se repousar em lume brando-médio e quando os pedaços de tomate já estiverem consideravelmente desfeitos, junta-se então o arroz, que deve ser bem misturado com os restantes ingredientes ainda antes de se acrescentar a água. A proporção entre água e arroz deve ser, do ponto de vista científico, a olho, sendo que a água deve ser abundante. Nesta altura deve provar-se o caldo resultante, e se necessário, acalmar o festim de sabores com um pouco de sal. Deixa-se ferver e reduz-se o lume para tão brando quanto o fogão permita, mexendo uma última vez. De seguida fuma-se um cigarro e espreita-se a Casa dos Segredos, vigiando o tacho ao lume, e acrescentado água se em algum momento esta deixar de abundar (nota: caso seja necessário acrescentar água, também se deve mexer novamente o preparado). Lava-se loiça em quantidade à justa para o número de comensais, e põe-se a mesa; por essa altura deverá chegar Pedro Lapa, tecendo um comentário sobre a enorme coincidência de estar a chegar precisamente quando nos preparamos para jantar. Isto indica-nos que o lume já deve poder ser desligado. Fuma-se novo cigarro e está pronto a servir.